quarta-feira, 14 de julho de 2010

Certa vez, acredite

Certa vez, me disseram
para acreditar em tudo,
na linda beleza do mundo,
e só por isso acreditar.

Certa vez, me disseram
para perseguir meus sonhos,
lutar por meus desejos
sim, foi isso que fizeram.

Não bastou muito, cresci.
Até vi que "certa vez"
muitas vezes não era tão certo
E que nem tudo que me diziam era verdade.

Já me disseram e disseram,
por certas e erradas vezes,
acreditei sem me perguntar
se o que me diziam era o que eu queria escutar.

Sonhei, lutei, sofri
Por fim, aprendi.
Certa vez, podem me dizer,
mas dessa vez, não vou acreditar.

domingo, 11 de julho de 2010

Mentiras e verdades

Fiz uma descoberta incrível.

De verdade.

Você pode não concordar comigo a princípio, mas se pensar no assunto, irá acabar chegando a mesma conclusão que a minha.

Estava a pensar em um livro. Pensei, pensei e pensei. Tal foi o empenho no raciocínio, que cheguei a imaginar as palavras que usaria para desenvolver as cenas.

Dar-lhe-ei um exemplo, mas você não precisa ler:

"Revolução, essa foi a palavra que ele disse. Perguntei seu significado, recebendo como resposta uma feição de surpresa. Ignorando minha ignorância, Renato respondeu-me com entusiasmo:
- Revolução é a conquista do povo. É a subversão aos valores burgueses impostos pela sociedade. É a vitória da massa contra os privilegiados...
E continuou a proclamar aquelas palavras sem semântica, aquelas frases não sintáticas. Eu, todavia, continuei a ouvir sem escutar, permanecendo apenas a apreciar a bela sonoridade de suas falas fora de contexto, como vento jogado pelo ar afora, sem que nada sentisse seu delicioso frescor..."

Ok, como eu disse, o objetivo não é você ler esse trecho, só queria mostrar o quão detalhada era a minha mente ao imaginar as palavras que eu usaria no livro.

Então, finalmente, me distraí e comecei a pensar outras coisas.

Olhe a surpresa, tudo que pensei era mentira! E o pior é que eu sabia disso, mas não conseguia pensar uma sentença que fosse verdadeira...

Parei e pensei no meu próprio pensamento. Percebi, por fim, que pensava como se escrevesse.

Entendeu?

Imagino que não.

A questão é: estava pensando como se estivesse anotando tudo que pensava em minha própria mente.

Por que, então, era tudo mentira?

Óbvio, era tudo escrito.

Concluí, afinal, que tudo que é posto em letras só pode ser mentira. Podemos dizer verdades ou não, mas, na escrita, não há opção. Escrevendo, só podemos mentir.

Em crônicas, contos, relatos, depoimentos, cartas, notícias, nada é verdadeiro. Sabemos disso instintivamente.

Diga a verdade: algum dia você acreditou em todo texto que leu?

Eu, pelo menos, não.

Formulei uma frase filosófica. Sintetizei todo esse pensamente "in a couple of words". Espero que goste:


A verdade pode ser dita, mas nunca escrita.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Tic Tac

Tic Tac

E bate o ponteiro dos segundos
O relógio o acusa irredutível

Tic Tac

Você já não sabe o que fazer
Sabe que o tempo é como areia,
escorre pela sua mão
Quando você percebe, já não o possui.

Tic Tac

E giram as setas da vida
Indicando-lhe o início da morte

Tic Tac

Toda vida pela qual passou
Tudo foi-se com o tempo
E agora o relógio lhe mostra
O quanto se perdeu no passado

Tic Tac...







PARA!








Tudo isso é idiotice.
O tempo não é nada.
Tudo é o agora

O passado já passou,
O futuro vai passar
Passe o momento
Mas não faça silêncio
pensando no tempo.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Televisão

Estou vivendo minha vida por inércia... Como se ela fosse um filme desinteressante que assisto sonolento.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Estranho sentimento.

Já estou familiarizado, mas não acostumado.

Quando você se sente angustiado a maior parte do tempo, quando parece que lhe falta algo.
Quando sua insegurança se eleva a níveis extremos, quando você se preocupa demais por qualquer coisa.

Quando começa pequeno e cresce exponencialmente, fazendo com que, antes que se perceba, você esteja afogado nele.
Quando você não sabe o que fazer em relação a quase tudo, quando se sente cada vez mais perdido.

Familiarizado, sim, mas nunca acostumado...

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Tristeza Póstuma

Navegamos no indefinido
Entre as ondas da incerteza
A tempestade do infinito
Antecipa a tristeza.

Caímos no subjetivo
Estranhando a certeza
De ver o mundo tão frio
Diante da própria beleza

Se puder, tente não notar
Meus tortos caminhos
Pois escrevo pra lembrar
De como estou sozinho.

Nascemos nus e
Morremos vestidos
Para acreditar que estamos despidos
E poder dormir

Mas não sou eu
Quem vai decidir...
com o que vou sonhar.
(o que vou sonhar?)

Se puder, tente não notar
Meus tortos caminhos
Pois escrevo pra lembrar
De como estou sozinho.

Estou tão sozinho...

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Duque

O que se pode sentir?
O que se deve sentir?
Até onde podemos explorar o sentimento?
até onde isso não nos levará à autodestruição?