Banho-me sob esse respaldo único para sentir esses longos e gelados lábios sobre a minha pele, que já desconheço para além da sensação. Se da leveza podemos nos sentir livres, é pelo peso que podemos verdadeiramente nos libertar, nos libertar de nosso próprio ser. A destruição da ilusão é substituída pela fusão total das existências mais diversas, água e ar, chuva e corpo, frio e calor.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
O descanso do céu
A chuva cai como se cada gota fosse um peso próprio do (m)ar, que arremata sobre a pele a mais vertical fluidez. O céu não parece chorar, mas se derramar sobre mim, como se, exausto, impusesse seu pesado descanso sobre meu corpo frágil. A frieza de cada pedaço do céu (do seu) não gela, mas aquece cada canto de minha existência, sentindo o peso deste sono derramado de beijos ao qual não pude nem quis fugir.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
Manifesto da razoável loucura de acordar cedo todo dia
Ao contrário do senso, todo início de ano eu
enlouqueço.
A construção de um futuro a
prazo, instituindo novo calango, antigo ideário, toda essa ideia velha com ares
de novidade, a fim de tombar de vez com a sanidade, mais uma vez
revisitando as cercas embandeiradas que separam o ciclo, tomando o inteiro como
parte, o tempo como linha, só o Batman salva.
La película de mi vida
Entre tantos desejos esparsos e sonhos diversos, ensaio um
andar torto sobre qualquer caminho apagado que algum dia vislumbrei na
imensidão.
Esses são dias desleais.
quarta-feira, 8 de janeiro de 2014
2014 - 21 anos
Lá se vai 2013 e, em breve, lá se irão minhas duas décadas de vida. A idade é sempre a pior das lembranças de que você já não tem mais tempo para perder.
Muito tempo se foi, e muito aconteceu de lá pra cá. 2013 foi o ano em que pela primeira vez trabalhei do início ao fim, o primeiro no qual verdadeiramente me apaixonei, mas, mais importante do que tudo, foi o primeiro no qual eu percebi de fato quem eu quero ser.
Não há conclusões possíveis para esse texto.
O tempo só se conclui quando se esgota, não há circularidade na existência.
(desculpem-me, nenhuns leitores, pela quebra repentina do discurso, creio ser reflexo do meu humor de hoje, afetado pelo engarrafamento que peguei na Barra)
Muito tempo se foi, e muito aconteceu de lá pra cá. 2013 foi o ano em que pela primeira vez trabalhei do início ao fim, o primeiro no qual verdadeiramente me apaixonei, mas, mais importante do que tudo, foi o primeiro no qual eu percebi de fato quem eu quero ser.
Não há conclusões possíveis para esse texto.
O tempo só se conclui quando se esgota, não há circularidade na existência.
(desculpem-me, nenhuns leitores, pela quebra repentina do discurso, creio ser reflexo do meu humor de hoje, afetado pelo engarrafamento que peguei na Barra)
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Ditadura da Beleza - Posição e Oposição
Discorro novamente sobre esse tema, tendo em vista que conheci outras opiniões e refleti mais sobre o assunto.
A ditadura da beleza é, primeiramente, uma expressão adotada recentemente por "progressistas" e "esquerdistas", que afirmam que o padrão estético, criado e reforçado pelos meios audiovisuais, é uma ferramenta de opressão a todos aqueles à margem do ideal exposto. O belo teria, portanto, a função de excluir todos aqueles que não visam a reprodução do padrão imposto.
Segundo tais ideias, relativismo estético seria o único caminho à inclusão social de todo e qualquer grupo estético (seja na aparência, na moda ou mesmo na arte). Enxergando beleza em todos os traços da imagem, todos podem ser atingir tal ideal.
Daí surge a oposição dos "conservadores" e "direitistas", que, contrariamente às suas ideologias liberais e individualistas (nada contra!), afirmam que o relativismo da beleza é uma ferramenta de subversão à ordem, podendo acarretar na falência moral da sociedade. Com o fim do ideal de beleza, são plantadas as primeiras sementes da destruição do que era anteriormente considerado - e, assim, de fato - belo.
O que eu não compreendo é como podem deixar de lado a questão da objetividade/subjetividade da beleza, podendo esse ser o ponto de convergência entre os dois lados. Afinal, a essencial não é "ver beleza em tudo", mas compreender a beleza como um fenômeno passivo e subjetivo, dando total liberdade aos indivíduos de formarem seus próprios padrões estéticos. Com isso, toda e qualquer iniciativa em prol da relativização da beleza não se torna subversivo, mas apenas uma expressão individual do conceito do "belo".
Há pouca margem, nesse sentido, de oposição entre qualquer ideologia acerca dessa ideia, talvez apenas na divergência do esquerdismo da abordagem individualista. Ainda assim, acredito que os mais ferrenhos debates contra ou a favor do fim (ou da própria ideia) da ditadura da beleza provêm unicamente da necessidade dos grupos políticos antagônicos de criarem uma nova maneira de divergirem. Cada vez mais, penso, as pessoas desejam se afastar do consenso, temendo se juntarem a seus opositores.
Talvez eu escreva posteriormente sobre essa tendência...
A ditadura da beleza é, primeiramente, uma expressão adotada recentemente por "progressistas" e "esquerdistas", que afirmam que o padrão estético, criado e reforçado pelos meios audiovisuais, é uma ferramenta de opressão a todos aqueles à margem do ideal exposto. O belo teria, portanto, a função de excluir todos aqueles que não visam a reprodução do padrão imposto.
Segundo tais ideias, relativismo estético seria o único caminho à inclusão social de todo e qualquer grupo estético (seja na aparência, na moda ou mesmo na arte). Enxergando beleza em todos os traços da imagem, todos podem ser atingir tal ideal.
Daí surge a oposição dos "conservadores" e "direitistas", que, contrariamente às suas ideologias liberais e individualistas (nada contra!), afirmam que o relativismo da beleza é uma ferramenta de subversão à ordem, podendo acarretar na falência moral da sociedade. Com o fim do ideal de beleza, são plantadas as primeiras sementes da destruição do que era anteriormente considerado - e, assim, de fato - belo.
O que eu não compreendo é como podem deixar de lado a questão da objetividade/subjetividade da beleza, podendo esse ser o ponto de convergência entre os dois lados. Afinal, a essencial não é "ver beleza em tudo", mas compreender a beleza como um fenômeno passivo e subjetivo, dando total liberdade aos indivíduos de formarem seus próprios padrões estéticos. Com isso, toda e qualquer iniciativa em prol da relativização da beleza não se torna subversivo, mas apenas uma expressão individual do conceito do "belo".
Há pouca margem, nesse sentido, de oposição entre qualquer ideologia acerca dessa ideia, talvez apenas na divergência do esquerdismo da abordagem individualista. Ainda assim, acredito que os mais ferrenhos debates contra ou a favor do fim (ou da própria ideia) da ditadura da beleza provêm unicamente da necessidade dos grupos políticos antagônicos de criarem uma nova maneira de divergirem. Cada vez mais, penso, as pessoas desejam se afastar do consenso, temendo se juntarem a seus opositores.
Talvez eu escreva posteriormente sobre essa tendência...
O segundo adiante
Cada segundo pelo qual despercebida passa minha existência, indago se não estaria eu a desdenhar da preciosidade do escasso tempo que disponho.
Em duas décadas, minhas conquistas avançaram em passo vagaroso, enquanto meus sonhos e desejos se expandiram em luminosa velocidade, sem respeito pelas sinalizações de tropeços à frente, com risco de queda e fratura.
Arrisco-me a dizer que não seria eu sem tal ansiedade, sem esses acúmulos de desejos, de vontades, e então, conquanto possa pensar em andar mais rápido que permitem minhas pernas, minha existência permanecerá ativa e fluida.
O segundo adiante é, portanto, meu senhor e meu algoz, aquele que me permite continuar, mas me assola com os mais perturbadores sentimentos. O passo a seguir precisa sempre ser maior do que o anterior, a velocidade agora precisa sempre ser maior do que a de outrora.
Afinal, o horizonte é logo ali.
Em duas décadas, minhas conquistas avançaram em passo vagaroso, enquanto meus sonhos e desejos se expandiram em luminosa velocidade, sem respeito pelas sinalizações de tropeços à frente, com risco de queda e fratura.
Arrisco-me a dizer que não seria eu sem tal ansiedade, sem esses acúmulos de desejos, de vontades, e então, conquanto possa pensar em andar mais rápido que permitem minhas pernas, minha existência permanecerá ativa e fluida.
O segundo adiante é, portanto, meu senhor e meu algoz, aquele que me permite continuar, mas me assola com os mais perturbadores sentimentos. O passo a seguir precisa sempre ser maior do que o anterior, a velocidade agora precisa sempre ser maior do que a de outrora.
Afinal, o horizonte é logo ali.
Assinar:
Postagens (Atom)