segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Cuidado ao jogar as cartas para mim, amor
Perco a vista nos distantes futuros a navegar
sobre o mar de sua lágrima, salgada,
que me liberta, mas também me ancora
Nessa pesada rocha que, de tão leve, me fez fluir
Para ti.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Ridiculosidade

Não preciso parar muito para pensar no tamanhos dos privilégios que me são concedidos devido a onde e como nasci. Branco, rico, homem, a lista é longa de toda posição de poder que me é involuntária e injustamente ofertada, da qual muitas vezes me beneficio, querendo ou não.

Meu desejo é muitas vezes de saber o que é estar em outra posição, em sofrer do pressuposto contrário: de que você é ladrão, vadia, vagabundo, por aí vai... A ridiculosidade, no entanto, é evidente, e logo percebo que muitos simplesmente desejariam estar efetivamente na minha posição, quando eu, no máximo, gostaria de fazer um tour pelo outro lado.

Buscar uma outra sociedade, no meu caso, é mais que um imperativo moral, é um imperativo pessoal, de modo a não me sujeitar mais a tais pensamentos ridículos.

Ainda assim, nunca deixo de rir de mim mesmo.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O futuro olha para mim por poucos segundos com bons olhos, mas em instantes vira o rosto para mirar no olhar de outrem.

Daquele breve tempo vejo um primeiro lampejo de algo para além do vazio. Da continuidade fria à qual já há muito me acostumei, posso crer haver algo mais.

Assumir o timão de um navio à deriva pode ser estimulante, mas é de fato perigoso. É preciso pela primeira vez saber para onde se deseja ir, estar sujeito aos próprios erros e más direções.

Ainda que por fim, sim, vale a pena sofrer mais por seus erros que pelos de outros.

Os únicos erros dos quais me arrependo foram de quando dividimos o mesmo navio.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

De um tão breve anoitecer

Passa-se a noite e vejo você



De um ainda longo amanhecer

Trago-me doenças. Ventanias maculadas a passar pelo meu corpo nu nada mais são que meu próprio sopro.

Nada mais são que meu próprio sopro.
Nada mais louco que meu próprio corpo.

Vieses tamanhas a entorpecer o pensar se jogam soltas esperando por quem as pegar. Pobre ainda é a rima, mas talvez eu ria de quem me julgar.

Continuo rindo, pois não estou sozinho.


sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Nessas horas sinto tão mais presente a ausência de outrem a quem tocar e ser tocado

sábado, 1 de novembro de 2014

Passa-se o vento

Diante de penumbra fria
adentra o vento
A soprar forte sobre terra
límpida, a arrastar tristezas

Passa-se o vento
Aqui e ali
Uma vez e novamente

Sopraria o vento para si?
Ou estaria ele a nos beijar?

Sinto o vento agora.