Esse artigo foi escrito por mim no dia 27/08/10. Já está no site www.oglobo.com.br/opiniao/ e logo será postado no site www.debatesculturais.com.br
Desde a independência da América Latina, herdamos de nossos antigos colonizadores o mesmo sistema econômico-social controlado pelo Estado, que perdura ou deixou resquícios em todos os países do continente latino-americano. Tal sistema, antagônico ao adotado pelos Estados Unidos desde a independência das treze colônias, é consequente de uma visão de mundo autoritária, na qual a instituição do Estado, sob a ilusão de representar o povo, determina o papel dos indivíduos na sociedade e limita o poder da economia a si próprio. Tudo isso a custo de taxas e impostos extremamente altos.
Não são poucos os efeitos de tal sistema: manipulação da vontade popular através do voto, corrupção, populismo, eventuais ditaduras, entrada no governo como único meio de ascensão social, além da instabilidade da política e da economia, sujeitas às vontades pessoais dos Estadistas. A propaganda Estatal e o controle da imprensa, porém, perpetuam esse sistema e, ainda pior, o popularizam, instituindo-o muitas vezes como “Estado-pai” (que seria melhor chamado de Estado-rei).
Sob o falso pretexto de defender os interesses do povo, esse gigantesco Leviatã consome a renda da população, gere mal os recursos e fecha a economia do país a seus desejos, inibindo investimentos internos ou externos. Com políticas econômicas frágeis e na maioria das vezes mal formuladas (dado o fraco entendimento dos governantes nesse assunto), o crescimento econômico pode se iniciar acelerado, mas ao longo do tempo mostra-se ineficiente e frágil, fardando o país a um atraso monstruoso em relação a regiões mais democráticas.
No Brasil, esse fenômeno pode ser exemplificado na figura de Getúlio Vargas, embora desde a independência soframos dessa doença crônica. O presidente e ditador assumiu o poder logo após a crise de 29, na qual findavam-se rapidamente os recursos mundiais e os governos se apresentavam como únicas instituições ainda capazes de realizar investimentos. Depois de uma acertada política econômica, que incentivava a industrialização com ajuda externa, Vargas deu continuidade ao seu modelo de desenvolvimento mesmo após o fim da Segunda Guerra Mundial, aumentando assim as barreiras aos investimentos no país, enquanto todos os outros as quebravam na Conferência de Bretton Woods. O pior, todavia, foi que os governantes posteriores deram continuidade a essas políticas nacional-desenvolvimentistas, levando o Brasil à década perdida de 80.
Esse quadro, felizmente, foi gradualmente revertido a partir da Constituição de 1988, que limitou o poder Executivo e aumentou a autonomia dos municípios e estados. A partir daí, com a implantação do modelo neoliberal, o “Estado-pai” foi enfraquecendo aos poucos, a economia brasileira foi crescendo cada vez mais e, através da combinação dessa reforma político-econômica com as características naturais do país, o Brasil hoje atua no Mundo não mais como passivo, mas como potência emergente.
Por isso, é com grande temor que vejo um novo levante do “Estado-pai” na América Latina, a chamada “Onda Rosa”. Condenando o neoliberalismo pelas crises mundiais, através do populismo e de práticas assistencialistas, os “pais” e “mães” do povo controlam cada vez mais a política e economia de seus países, aumentando os impostos, o poder central e, assim, inibindo a democracia e o crescimento econômico sustentável.
Nesses últimos dez anos, por exemplo, o Brasil aumentou em 20% os impostos sobre a população, sendo que desses mais de dezesseis são do Governo Federal. Com o aumento da intervenção Estatal na economia brasileira, o país tem crescido pela manutenção do Plano Real, mas já apresenta sinais de fragilidade, como a diminuição brutal do superávit primário e o crescimento assustador da dívida interna.
Aonde esse perigoso retorno irá nos conduzir, somente o tempo dirá.
sábado, 28 de agosto de 2010
domingo, 22 de agosto de 2010
Crime do artigo - 1° parte
Frio, era o que sentia.
Deitado em seu leito solitário, acordou junto ao Sol, que tímido se levantava sobre as últimas horas da madrugada. Sentou-se à beira da cama, vendo o vazio do céu sem nuvens, fazendo-o lembrar da falta de lembranças da noite passada. Seus sentidos em sinestesia denunciavam a exuberância do exagero, resultando na falta de foco da mente, além da confusão entre a dor que sentia e um estranho sentimento de culpa que abatia sua consciência.
Levantou-se e de súbito sentiu a tontura atingindo-o em um golpe inesperado. Segurou-se ao que viu mais perto e lutou para permanecer de pé, atrapalhado pelas pernas, fracas como se ainda adormecidas. Sem saber o motivo, os bambeios lhe acusavam um crime sem seu conhecimento, mostrando-se provas irrefutáveis do pior pecado cometido. O problema estava na falta de um objeto a ser acusado, pois não havia lembranças indicando o delito.
Deitado em seu leito solitário, acordou junto ao Sol, que tímido se levantava sobre as últimas horas da madrugada. Sentou-se à beira da cama, vendo o vazio do céu sem nuvens, fazendo-o lembrar da falta de lembranças da noite passada. Seus sentidos em sinestesia denunciavam a exuberância do exagero, resultando na falta de foco da mente, além da confusão entre a dor que sentia e um estranho sentimento de culpa que abatia sua consciência.
Levantou-se e de súbito sentiu a tontura atingindo-o em um golpe inesperado. Segurou-se ao que viu mais perto e lutou para permanecer de pé, atrapalhado pelas pernas, fracas como se ainda adormecidas. Sem saber o motivo, os bambeios lhe acusavam um crime sem seu conhecimento, mostrando-se provas irrefutáveis do pior pecado cometido. O problema estava na falta de um objeto a ser acusado, pois não havia lembranças indicando o delito.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Masturbação política...
Às vezes, me sinto empolgado ao extremo com a política.. Vou a palestras, manifestações, passeatas, já falei com muitos políticos: gabeira, chico alencar, alessandro molon, ìndio da costa, alfredo sirkis, etc... E participo, incentivo as pessoas a participarem, escrevo, por aí vai.
Por outro lado, às vezes fico incrivelmente desacreditado e chateado com a política... Acho o povo brasileiro sem solução, os políticos todos inescrupulosos, não me dá vontade de escrever, nem de participar de nada.
Sou muito volúvel em relação a isso.
Por outro lado, às vezes fico incrivelmente desacreditado e chateado com a política... Acho o povo brasileiro sem solução, os políticos todos inescrupulosos, não me dá vontade de escrever, nem de participar de nada.
Sou muito volúvel em relação a isso.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Vergonha
Seu rosto ardeu quando a mão pesada da vergonha desceu-lhe à face, marcando-a com a raiva da incompreensão. E, apesar de sua força para não chorar, as lágrimas insistiram em lhe escapar aos olhos, não pela dor, mas pela tristeza de um sentimento reprimido.
- Nunca mais me envergonhe dessa maneira - disse sua mãe, com os olhos vermelhos de ódio.
As palavras pesaram como chumbo ao entrarem nos ouvidos de Helena, envolvendo-a em uma manta de horror. A morte vagava pelos arredores de sua alma, já sem vontade de viver.
- Nunca mais me envergonhe dessa maneira - disse sua mãe, com os olhos vermelhos de ódio.
As palavras pesaram como chumbo ao entrarem nos ouvidos de Helena, envolvendo-a em uma manta de horror. A morte vagava pelos arredores de sua alma, já sem vontade de viver.
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Saudades
Saudade é sentir o cheiro sem provar
É ver o mar sem nele mergulhar
É ter papel e caneta sem poder escrever
É saber o que pensar, mas não o que dizer.
Saudade é se sentir incompleto
E de como se completar, você está certo
É saber de um livro que não se pode ler
É lembrar de você sem poder te ver.
É ver o mar sem nele mergulhar
É ter papel e caneta sem poder escrever
É saber o que pensar, mas não o que dizer.
Saudade é se sentir incompleto
E de como se completar, você está certo
É saber de um livro que não se pode ler
É lembrar de você sem poder te ver.
segunda-feira, 19 de julho de 2010
Trecho blá
Cansada, parou e deixou-se deitar por alguns instantes. Suspirando pesadamente, fechou de leve as pálpebras e, para sua surpresa, percebia que, finalmente, conseguia enxergar. Quando antes o mundo passava por seus olhos e ela nada via, naquele momento sua cegueira extinguia-se rapidamente, revelando a vida por si só, sem remendos ou fantasias. Pela primeira vez, ela sabia o que era ver e não olhar.
Seu corpo nu suava lágrimas de felicidade. Enquanto seu espírito agitava-se em labaredas diversas, seu exterior parecia pedir nada senão descanso. Estava inebriada, como se sofresse de uma overdose de uma droga tão forte que paralisasse todos os seus membros, mas acelerasse seus pensamentos a um nível em que nem ela própria conseguisse acompanhá-los. Mas tanto era lindo quanto angustiante. Sentia perder o controle sobre si mesma, sem nem ao menos desejar tê-lo de volta.
Seu corpo nu suava lágrimas de felicidade. Enquanto seu espírito agitava-se em labaredas diversas, seu exterior parecia pedir nada senão descanso. Estava inebriada, como se sofresse de uma overdose de uma droga tão forte que paralisasse todos os seus membros, mas acelerasse seus pensamentos a um nível em que nem ela própria conseguisse acompanhá-los. Mas tanto era lindo quanto angustiante. Sentia perder o controle sobre si mesma, sem nem ao menos desejar tê-lo de volta.
domingo, 18 de julho de 2010
Ah, les françaises...
J'aime le français.
Mais qui ne l'aime pas? Le français est une langue très jolie et belle. En fait, la France en tout est un pays très jolie et belle. Qui ne l'aime pas?
Un chose je sais: si il y a quelque lieu pour vivre qui n'est pas le Rio de Janeiro, ce lieu est Paris.
Mais qui ne l'aime pas? Le français est une langue très jolie et belle. En fait, la France en tout est un pays très jolie et belle. Qui ne l'aime pas?
Un chose je sais: si il y a quelque lieu pour vivre qui n'est pas le Rio de Janeiro, ce lieu est Paris.
Assinar:
Postagens (Atom)