quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Análise dessas eleições (for dummies)

Esses parentêses só querem expressar que não vou fazer nenhuma tese de doutorado aqui.

O que eu penso sobre a vitória de Dilma? Que não vai além do esperado, tendo em vista os mil erros do PSDB nessa campanha.

1- Serra é ainda muito associado ao governo FHC, que teve uma baixa popularidade no final de 2002. Por isso, a campanhas mentirosa das possíveis privatizações em um governo Serra deu certo.

2- Serra tem naturalmente cerca de 40% de rejeição, ou seja, não seria votado de jeito nenhum por quase metade do eleitorado brasileiro.

3- O PSDB se pautou nas pesquisas eleitorais, que davam vantagem à Serra em relação à Aécio nas eleições. O problema dessa análise é que as próprias pesquisas se mostraram infiéis no primeiro turno e a maior parte do eleitorado não conhecia o candidato de Minas à época (como Dilma).

4- Tanto Serra quando Dilma subestimaram o poder de Marina Silva. Caso tivesse previsto um melhor desempenho da candidata do PV, Serra poderia desde o primeiro turno começado a articular uma maior aproximação com Marina contra Dilma. O que se viu, infelizmente, foi o contrário.

5- Nem Serra nem o PSDB percebem o quanto a imagem do DEM está desgastada. O melhor seria transitar para uma aliança com mais partidos menores, mas com menos rejeição do eleitorado.

Agora, o que eu acho que vai ser do Brasil? Acho, em primeiro lugar, que as coisas não mudariam muito com Dilma ou Serra no poder. Os dois são desenvolvimentistas ferrenhos e não fariam grandes alterações no cenário atual. Talvez eu esteja errado, mas listarei aqui o que vai acontecer:

1- Desde o início, o PT vai começar uma rixa pelo poder com o PMDB e Dilma não terá muita capacidade política de lidar com essa disputa. Será, sem dúvida alguma, uma aliança frágil.

2- O PSB se tornará um aliado mais forte da área menos fisiológica do PT, aumentando a tensão dos partidos.

3- Uma vez que Dilma não é Lula, o PSDB, o DEM, o PPS, o PMN, o PSOL e o PV (que antes era governista) farão oposição mais dura ao governo da petista.

4- As eleições para prefeito serão uma maluquice, como tem sido ultimamente. As alianças serão as mais bizarras possíveis e o fisiologismo reinará. O PSB e o PDT crescerão ainda mais, partidos pequenos como o PV e o PSOL cresceram modestamente, o PSDB, o PT e o PMDB se manterão estáveis e o DEM se enfraquecerá de novo.

5- Haverá uma crise econômica exclusivamente no Brasil. Com a formação de um mercado interno por crédito subprime, uma hora os bancos vão apertar e a "nova classe média" não terá condição de pagar suas prestações. O problema vai ser que o governo, dessa vez, não poderá ajudar, pois estará enrolado na sua própria dívida interna.

6- Não sei como vão resolver essa crise, mas Dima sofrerá as consequências. Em 2014, teremos 3 nomes fortes na política: Aécia Neves, Marina Silva e o próprio Lula, que voltará como salvador da pátria, no melhor estilo getulista.

C'est ça.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Pedido de desculpas

Peço desculpas às nenhumas pessoas que lêem esse blog. Esse curto, porém intenso período pré-vestibular tem me tomado mais do tempo que eu mesmo disponho.

Anuncio aqui, portanto, a minha volta ao meu blog.

Parte final de "Vitória do Pronome Possessivo"

Ela levantou-se e de pé ficou por alguns instantes. Preparava-se para sua saída, já sem temor de qualquer reação. Ele, no entanto, fez o mesmo movimento e, pela primeira vez no dia, subiu o olhar à mulher. Seus olhos vermelhos de raiva refletiam o ódio que sentia naquele momento.

- Feliz aniversário de casamento – proferiu sua voz rouca, sentenciando a última prisão.

Daquele silencioso ambiente ouviu-se o derradeiro estrondo e, antes que a mulher pudesse perceber, estava deitada ao chão, com a cor rubra a cobrir-lhe os seios. Ofegando naquele ar tóxico, sua mente desfocada procurava entender o que havia acontecido. Agarrou-se a qualquer sentimento de esperança, enquanto o escarlate do pecado envolvia-a por inteiro.

Enquanto assistia à vitória do mais poderoso e possessivo pronome, o homem pensava:

“Nunca foste livre. És, e sempre serás, minha.”

“Minha.”

sábado, 18 de setembro de 2010

Artigo - O "Panis et Circenses" do século XXI

Por algum motivo, esse artigo ainda não foi publicado em lugar nenhum...



O Brasil, hoje em dia, vive um período atípico de sua história política. O Presidente da República, há pouco tempo, atingiu excepcionais índices de popularidade, alcançando grandes figuras como Vargas e J.K.. A situação ganha cada vez mais força, a ponto de beirar uma hegemonização do poder pelos partidos aliados ao atual governo. A oposição não arrisca ataques diretos, diminui sua presença no cenário político brasileiro, além de sofrer de uma problemática crise ideológica de seus partidos. A que se devem tais fatos?

Não se pode deixar de destacar, obviamente, o crescimento econômico acelerado do Brasil nessa última década. Em uma economia cada vez mais forte, o brasileiro se satisfaz atualmente ao ver crescer seu poder aquisitivo em uma escala ascendente. Mesmo com uma crise mundial que afetou tragicamente todos os países desenvolvidos, sobrevivemos fortes à quebra do mercado norte-americano, sustentados por nossa própria economia interna.

A questão, no entanto, vai muito além da situação econômica. O atual governo, frente a escândalos graves de corrupção que ocorreram ao longo desses oito anos, perdeu a tradicional imagem de uma gestão ética e, assim, sofreu de uma crescente rejeição das classes mais conscientizadas, que compunham a maior parte de seu eleitorado. A solução, então, para manter Lula na Presidência da República foram duas:

1-Aliar-se profundamente ao PMDB, um partido fisiologista e sem ideologia, cujo único objetivo é perpetuar-se no poder, tendo inclusive apoiado outrora FHC.

2-Criar um sistema de “Panis et Circenses” do século XXI, desviando a atenção da população das questões fundamentais do Brasil, como ética, educação, saúde e segurança, para programas paliativos sem visão de longo prazo.

Podemos destacar o Bolsa-Família como um dos exemplos mais fundamentais dessas políticas. Com uma criação bem intencionada, junto a outras estratégias, a fim de que não mais fosse necessário ao fim de certo período, o programa foi desvirtuado em 2005, no ano do escândalo do mensalão, quase quadruplicando sua abrangência, ao mesmo tempo em que abandonava sua verdadeira proposta de inclusão social de fato da população carente, sem que mais precisassem dessa ajuda financeira.

Outras políticas foram utilizadas na elaboração desse sistema. Seus exemplos mais presentes são o PAC, cuja maioria das obras ainda não saiu do papel e os eventos esportivos que já foram ou serão realizados no Brasil (como a Copa e as Olimpíadas). Tais “conquistas” anestesiaram a população e provocaram um estado de euforia no país, enquanto nossas questões principais ainda estão mal resolvidas.

Não se pode dizer, obviamente, que essas políticas são essencialmente ruins, muito pelo contrário. Tanto o Bolsa-Família como a escolha do Rio para sediar as Olimpíadas seriam grandes oportunidades para o desenvolvimento social e econômico do país, se aliadas a uma visão estratégica de longo prazo, com investimentos maciços na educação e em outras áreas.

O problema, portanto, se dá na utilização desses programas e eventos como “Pão e Circo” do século XXI. Mesmo tenhamos uma população desfavorecida que não sente mais fome, um crescimento sensível da renda e dos empregos a partir dos eventos esportivos mundiais, nossas escolas continuam precárias, nosso sistema de saúde continua falido, nossa segurança continua permanentemente ameaçada e nosso sistema político continua alimentando a imoralidade de grande parte dos nossos representantes.

Essa criminosa rede nacional de manipulação, aliada a um crescimento notável na economia do país, sustenta os 70% de popularidade do Presidente Lula, responsabiliza-se pela expressiva intenção de votos de uma candidata governista que nunca disputou uma eleição na vida e é culpada por não vermos nenhum grande avanço social de longo prazo no nosso país. A população, porém, anestesiada pelo “Panis et Circenses” atual, nada fará para reverter esse problemático quadro. Afinal, esse é o incerto futuro que nos espera.

sábado, 28 de agosto de 2010

Artigo - A ameaça do "Estado-pai"

Esse artigo foi escrito por mim no dia 27/08/10. Já está no site www.oglobo.com.br/opiniao/ e logo será postado no site www.debatesculturais.com.br

Desde a independência da América Latina, herdamos de nossos antigos colonizadores o mesmo sistema econômico-social controlado pelo Estado, que perdura ou deixou resquícios em todos os países do continente latino-americano. Tal sistema, antagônico ao adotado pelos Estados Unidos desde a independência das treze colônias, é consequente de uma visão de mundo autoritária, na qual a instituição do Estado, sob a ilusão de representar o povo, determina o papel dos indivíduos na sociedade e limita o poder da economia a si próprio. Tudo isso a custo de taxas e impostos extremamente altos.

Não são poucos os efeitos de tal sistema: manipulação da vontade popular através do voto, corrupção, populismo, eventuais ditaduras, entrada no governo como único meio de ascensão social, além da instabilidade da política e da economia, sujeitas às vontades pessoais dos Estadistas. A propaganda Estatal e o controle da imprensa, porém, perpetuam esse sistema e, ainda pior, o popularizam, instituindo-o muitas vezes como “Estado-pai” (que seria melhor chamado de Estado-rei).

Sob o falso pretexto de defender os interesses do povo, esse gigantesco Leviatã consome a renda da população, gere mal os recursos e fecha a economia do país a seus desejos, inibindo investimentos internos ou externos. Com políticas econômicas frágeis e na maioria das vezes mal formuladas (dado o fraco entendimento dos governantes nesse assunto), o crescimento econômico pode se iniciar acelerado, mas ao longo do tempo mostra-se ineficiente e frágil, fardando o país a um atraso monstruoso em relação a regiões mais democráticas.

No Brasil, esse fenômeno pode ser exemplificado na figura de Getúlio Vargas, embora desde a independência soframos dessa doença crônica. O presidente e ditador assumiu o poder logo após a crise de 29, na qual findavam-se rapidamente os recursos mundiais e os governos se apresentavam como únicas instituições ainda capazes de realizar investimentos. Depois de uma acertada política econômica, que incentivava a industrialização com ajuda externa, Vargas deu continuidade ao seu modelo de desenvolvimento mesmo após o fim da Segunda Guerra Mundial, aumentando assim as barreiras aos investimentos no país, enquanto todos os outros as quebravam na Conferência de Bretton Woods. O pior, todavia, foi que os governantes posteriores deram continuidade a essas políticas nacional-desenvolvimentistas, levando o Brasil à década perdida de 80.

Esse quadro, felizmente, foi gradualmente revertido a partir da Constituição de 1988, que limitou o poder Executivo e aumentou a autonomia dos municípios e estados. A partir daí, com a implantação do modelo neoliberal, o “Estado-pai” foi enfraquecendo aos poucos, a economia brasileira foi crescendo cada vez mais e, através da combinação dessa reforma político-econômica com as características naturais do país, o Brasil hoje atua no Mundo não mais como passivo, mas como potência emergente.

Por isso, é com grande temor que vejo um novo levante do “Estado-pai” na América Latina, a chamada “Onda Rosa”. Condenando o neoliberalismo pelas crises mundiais, através do populismo e de práticas assistencialistas, os “pais” e “mães” do povo controlam cada vez mais a política e economia de seus países, aumentando os impostos, o poder central e, assim, inibindo a democracia e o crescimento econômico sustentável.

Nesses últimos dez anos, por exemplo, o Brasil aumentou em 20% os impostos sobre a população, sendo que desses mais de dezesseis são do Governo Federal. Com o aumento da intervenção Estatal na economia brasileira, o país tem crescido pela manutenção do Plano Real, mas já apresenta sinais de fragilidade, como a diminuição brutal do superávit primário e o crescimento assustador da dívida interna.

Aonde esse perigoso retorno irá nos conduzir, somente o tempo dirá.

domingo, 22 de agosto de 2010

Crime do artigo - 1° parte

Frio, era o que sentia.

Deitado em seu leito solitário, acordou junto ao Sol, que tímido se levantava sobre as últimas horas da madrugada. Sentou-se à beira da cama, vendo o vazio do céu sem nuvens, fazendo-o lembrar da falta de lembranças da noite passada. Seus sentidos em sinestesia denunciavam a exuberância do exagero, resultando na falta de foco da mente, além da confusão entre a dor que sentia e um estranho sentimento de culpa que abatia sua consciência.

Levantou-se e de súbito sentiu a tontura atingindo-o em um golpe inesperado. Segurou-se ao que viu mais perto e lutou para permanecer de pé, atrapalhado pelas pernas, fracas como se ainda adormecidas. Sem saber o motivo, os bambeios lhe acusavam um crime sem seu conhecimento, mostrando-se provas irrefutáveis do pior pecado cometido. O problema estava na falta de um objeto a ser acusado, pois não havia lembranças indicando o delito.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Masturbação política...

Às vezes, me sinto empolgado ao extremo com a política.. Vou a palestras, manifestações, passeatas, já falei com muitos políticos: gabeira, chico alencar, alessandro molon, ìndio da costa, alfredo sirkis, etc... E participo, incentivo as pessoas a participarem, escrevo, por aí vai.

Por outro lado, às vezes fico incrivelmente desacreditado e chateado com a política... Acho o povo brasileiro sem solução, os políticos todos inescrupulosos, não me dá vontade de escrever, nem de participar de nada.

Sou muito volúvel em relação a isso.