sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Nada disso-Tudo disso

Nada disso
Nada disso jamais será em vão
Nada disso perderá nunca seu valor
Nada disso seria uma dia mágoa, amargura
Nada disso passaria eventualmente à distante memória

Tudo disso
Tudo disso persiste, resiste, existe
Tudo disso permanecerá e se expandirá
Tudo disso terá seu momento, seu alento.
Tudo disso é isso.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Queria escrever como se fosse pela primeira vez

Queria ver como se nunca antes tivesse aberto os olhos. A eminência de um primeiro momento, o instante-já da graça daquilo que lhe abre as suturas do antes, dejà. O língua me queima a boca, a língua me queima à boca. A língua faz-me perder o tom.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Pois a vida é tudo

Lugar distímico esse que se alarga rápido, calmo, forte e tenso.

Expande-se pela embaçada brasa que me acolhe como ventre que nutre e fere, mas não se deixa par(t)ir.

Queria-me abarcar nessa chuva morna, esse desolado choro sobre o qual navegam mágoas, mas também saudades.

Queria me embarcar nesse riso fácil, essa luz calma sob a qual se deitam águas, mas também o fogo.


A Contemporaneidade e o Romantismo

Houve outra época pós-Descartes na qual a sociedade ocidental, passada uma guerra de proporções continentais, passou a desconfiar das ideias de progresso científico e social, recuou diante da crescente urbanização massificada e recusou o culto ao objetivismo. Essa época foi o que chamamos Romantismo.

Passada a Revolução Francesa e as guerras napoleônicas, o europeu passa a se perguntar novamente se não seria o mundo das ideias e do iluminismo também outra ilusão diante da natureza trágica da vida. Repete-se novamente o "Ai de mim!", o homem incerto do caminho a se trilhar, voltando-se para si mesmo, valorizando o subjetivismo e a emoção.

Qualquer semelhança com a erosofia socrática e a contemporaneidade não seria, obviamente, mera coincidência. A recusa da ideia da razão como luz, o mundo das ideias externo ao homem, a objetividade e a razão, tudo isso parte da oposição da visão de Sócrates à de Platão. É, novamente, a Erosofia contra a Filosofia, o corpo contra a mente, a emoção contra a razão.

Não a toa é no Romantismo e na Contemporaneidade que a Mulher se torna figura central da sociedade, cujo parto e o delirium se mostram signos fundamentais da força propulsora da humanidade, seguindo a tradição maiêutica. Curioso notar inclusive como foi no Romantismo que Jane Austen e Emily Brontë tiveram seus livros publicados, tornando-se absolutos sucessos diante de um mundo no qual evidentemente elas não teriam espaço.

Talvez eu tenha me enganado, e não haja de fato nada de novo no mundo contemporâneo. Encontra-se novamente o pêndulo a pesar para diferentes lados da natureza humana.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

A contemporaneidade e o ironismo socrático

A sociedade contemporânea se vê em um vazio de projeto para o encontro da verdade. A desconfiança reina sobre os discursos científicos, relativizados por dúbios métodos estatísticos e sucessivas contradições de teses.

Diante disso, ressurge com força a máxima "Só sei que nada sei", do discurso irônico de Sócrates, aliado a uma profusão de recursos místicos e esotéricos para o alcance de, se não uma verdade, uma sugestão - algo para se escapar do vazio.

Todo conhecimento anterior foi posto em desconstrução através da questionamento e da ironia, e agora, diante da eterna dúvida, se amontam adeptos de estudos do zodíaco, do tarô e de qualquer âncora simbólica de caráter místico.

A chamada erosofia socrática ganha assim terreno sobre a filosofia platônica. Se antes a razão, a moderação e a objetividade levaria a humanidade a sua emancipação pela verdade, hoje o ser humano busca se guiar não pela luz (fora da caverna), mas por símbolos que lhe são mostrados e o qual cultua (dentro da caverna).

Os rituais dionisíacos de culto ao prazer e à fertilidade - extremamente caros a Sócrates - têm ainda especial força devido ao advento do feminismo do século XX, mas também servem de fuga ao vazio da contemporaneidade. A máxima "Dá-me vinho, porque a vida é nada", de Fernando Pessoa, vai de encontro ao culto à erosofia dionisíaca e se torna caro ao homem contemporâneo, que adota tal visão de mundo irônica, desconfiada, esotérica e mística.

(esse texto é uma explicação do meu outro texto chamado "Dionísio")

quarta-feira, 16 de julho de 2014

A arte é um campo de guerra de muitas frentes, cujas margens fronteiriças avançam e recuam continua e furiosamente.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Dionísio

Nossa sociedade ocidental, com esse fetiche que tem da cultura greco-romana, talvez não esteja percebendo em si própria uma transição de retorno à tradição dionisíaca. 

Enfim temos o início do fim da influência escolástica sobre nossa vida. 

Que retorne, Dionísio! Há muito vos esperamos.