Tempo virado

Tempo virado
Questões de Francesca

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Disse que não escreveria aqui mais.

Naquele momento, sentia-me no fim de um ciclo que, depois de tanto dedicar esse espaço a você, seria preciso encerrá-lo quando encerramos nossa história.

Mas do que vale a história frente a um sentimento permanente?

Do que vale o fim de um ciclo diante de um espaço infinito que se segue sendo o que ainda persistentemente sinto por você?

Hoje me é possível conviver harmoniosa com essa sua estranha ausência ao meu lado. É-me possível até ficar exultante com sua bem sucedida trajetória longe de mim.

Não há do que me libertar. Não estou preso a esse sentimento.

Escolhi mantê-lo comigo. Aprendi a ser feliz com ele.

domingo, 7 de agosto de 2016

Eu e você

Nosso amor foi uma grande cachoeira. 

O gelo da água me despertava e aguçava meus sentidos, e a queda foi sempre a adrenalina que me fazia querer sempre mais. Eu não me importava para onde ia, contanto que fosse com você. 

Não sei se será ainda possível acreditar que essa cachoeira tenha secado. Minha vida se define por esse caminho d'água que trilhei com você. 

Não pretendo mais escrever nesse blog. 

sexta-feira, 24 de junho de 2016

Sobre minha moral

Sempre tive uma ideia forte de que buscava fazer o bem. Não que o fizesse sempre, mas tinha sempre esse desejo. Não sei em que ponto todos pensam assim - tenho dúvidas até se alguns pensam sobre isso -, mas desde que me lembro por mim, repensava minha moral em torno de não fazer mal aos outros, a fim de honrar essa ideia.

Hoje, porém, me encontro em total confusão sobre se tenho seguido a moral que considero correta. Nessa manhã percebi que minhas ações há tempos estão sem qualquer tipo de limite da minha consciência. Não que eu não me sinta culpado posteriormente, mas não consigo dizer não antes de agir, e acabo por - não intencional, mas conscientemente - prejudicar outras pessoas.

Estou em absoluta confusão quanto a isso. Hoje, creio que farei mas bem do que mal se voltar estritamente ao que considero correto, de modo que me vejo obrigado a ir contra minha moral para que possa retornar a ela no longo prazo.

Meu medo, porém, é de não achar o caminho de volta.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O riso é muito pouco para se falar de felicidade.

Mas não que não haja sempre algo de bom quando se sorri.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Devagar, divagando

A partir do puro complexo de um amor surdo, fiz-me cair distante de meus próprios olhares. Escorreguei por entre abertas pernas e, a duras penas, me deixei velar seu corpo apenas.
Soltei-me de tudo que me agarrava a mim, cambaleante levantei em direção à alta superfície
que só corria por si.

O vento hoje é meu canto de solidão.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Fertilidade complexa

Nota-se que temos essa fertilidade complexa de ser, pois somos de fato muito mais do que jamais fomos, ou jamais seremos.

Não basta sonhar, nós lembramos mais daquilo que nunca passou, nós vivemos mais aquilo que nunca foi experienciado por qualquer um. A todo instante engravidamos de nós mesmos, dando nascença sempre a um novo eu.

Somos muito mais do que cremos ser.

quarta-feira, 4 de março de 2015

Queria eu de vez em quando saber falar de amor. Conseguir colocar em palavras talvez um pouco daquilo que sinto ou não sinto, até do que eu deixo de sentir para depois ter aquele sentimento em excesso, do qual peco por dele não saber dizer.

Quero quem sabe um dia saber ler as mais complexas partituras, dominar a linguagem da música, só para então bradar: algo a menos para desvendar. É besteira, eu sei, mas mais bobo ainda seria me manter nessa leitura lenta e cansativa, ainda que eficiente..

Acho, no entanto, que o que mais quero é voltar a escrever.