Tempo virado

Tempo virado
Questões de Francesca

quarta-feira, 30 de março de 2011

(explosão)

Essa tatuagem desenhada em minha mente

Queima minha pele como fogo

E me afundo no abismo do vazio

Mas eu não tenho medo

terça-feira, 29 de março de 2011

Limites

De vez em quando, pego uma semana para viver de excessos. Nem ao menos as escolho, elas me vêm ao acaso e, quando percebo, estou passando dos limites do atrevimento de uma vida inteira.

É como está sendo essa semana. Estou rápido, agitado, alucinando, sonhando, estou forte, tonto, estou vivendo e, é claro, estou morrendo.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Apesar disso

, estou numa fase mista. Volto a acreditar cada vez menos em sonhos e a me afundar ainda mais rapidamente nas mesquinharias da vida. Mesmo assim, tento sentir mais. Tento me deixar chorar, me deixar sorrir, gargalhar, tirar um pouco essa expressão vazia do meu rosto.

Afinal, de que me vale viver, se eu não sentir? Mesmo que acabe sendo rico, famoso, bem-sucedido, etc... hei de um dia findar tudo isso com a morte. Terá valido a pena passar por tudo isso sem nem ao menos experimentar a dor, a felicidade, a angústia?

Peço para sofrer. Peço para sofrer para depois me levantar e olhar para trás e pensar que consegui me reerguer. Peço para me destruam, para que depois eu possa me reconstruir. Peço para que me tirem dessa vida na qual não sinto nada.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Tsc tsc...

Desanima-me a facilidade com que me desanimo.
De todas as preguiças, sou A preguiça.
De todas as tristezas, sou a solidão.

Tantas coisas

Resolvi me olhar no espelho
Mas me perdi em seu reflexo
É tão difícil te esquecer quando te vejo
Sei que isso nem tem nexo.

Perco as palavras quando tento te dizer
Que não tenho nada pra falar
Pois tudo ficar tão fácil de perceber
Depois que se usa o verbo amar.

E lá se foram... Tantas coisas...

sexta-feira, 18 de março de 2011

Maturidade

Muitas vezes me acho nos extremos da maturidade. De quando em quando, me comporto como uma criança, com atitudes babacas que muitas vezes irritam amigos meus.

E, também frequentemente, comporto-me como adulto sem necessidade, pensando demais no futuro, com planos muito certos, planejando meu orçamento mensal, etc...

Blablablablablablalabla

Por que não me deixo ir com a maré?

quarta-feira, 16 de março de 2011

Orgia Musical

Como eu já disse antes, não me deixo sentir muito, nem na música nem na escrita. Considero, porém, que a maior virtude de um músico é deixar o sentimento fluir.

Na guitarra, tem poucos guitarristas que admiro na forma de tocar. Muitos me influenciam, mas apenas 3 ou 4 me fazem gozar ao ouvir o som de seus instrumentos, sejam em solos, riffs, etc...

São eles:

Jimi Hendrix
John Frusciante
Eric Clapton (que descobri há pouco tempo)
John Frusciante

John Frusciante se divide em dois porque ele é dois guitarristas diferentes. Um deles é o maluco funkman, ultraguitarrista fodástico do mal que sola feito doido e toca feito um monstro.

O outro é aquele que faz as músicas mais bonitas que já vi, com solos lindos e tocantes, melodias profundas e psicodélicas.

Rock'n'Roll

Orgia Literária

Quero, não sei porquê, falar um pouco dos meus três escritores favoritos: Mia Couto, Clarice Lispector, Graciliano Ramos.

Mia Couto: esse é, sem dúvida alguma, o maior gênio da literatura que eu já vi. Escreve com tal profundidade e fluidez que parece que estou ouvindo Tears in Heaven (Eric Clapton) ao lê-lo. É um poeta prosador, assumindo em seus contos e livros um tom lírico difícil de encontrar nos melhores poemas.

Clarice Lispector: a maior escritora do Brasil. Sua escrita parece ter sido feita com urgência, como se seu pensamento tivesse uma ligação direta com o papel, sem haver necessidade de passar por suas mãos. Seu texto flui como o mar da praia, que cujas as ondas crescem até baterem e desmancharem na areia.

Graciliano Ramos: sem dúvida, controverso. Sua produção é única porque tem uma forma própria. Conseguimos notar em seus textos um certo mau-humor, como se ele estivesse sempre escrevendo chateado, apressado, angustiado. Mas, sem dúvida alguma, não é algo para todos apreciarem, diferentemente de Clarice e Mia Couto.

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Eu muitas vezes penso como eu mesmo escrevo. Na verdade, tenho muitas fases, que dependem muito do autor que estou lendo no momento. Mas, tanto na escrita como na música, busco procurar uma racionalidade, um ponto médio, o que, na minha opinião, não é bom. Sempre acho que falta um pouco de sentimento na minha obra, e por isso sou um poeta tão medíocre. Minha prosa ainda se salva pela minha alta capacidade de absorção do que leio, mas minha poesia é um desastre.

Falta sentir mais.

Falta deixar-me sentir mais.

Os múltiplos eus.

(peço primeiro desculpas aos que lerem esse texto - pelo menos serão poucos - pois encontrarão sucessivos "eus" repetidos nesse texto)

Desde criança, crio múltiplos eus para mim mesmo. De lá pra cá, muitos foram criados e destruídos pela imaginação e as limitações.

Esses eus criados nada mais são de que caricaturas de mim adulto, seguindo uma carreira, com família, emprego, etc...

Meu primeiro eu de que me recordo é o eu-arquiteto. Quando criança queria ser, a exemplo de minha avó, arquiteto e já nos meus sete oito anos desenhava casas e prédios que pensava em projetar no futuro.

Outro eu muito antigo, que resiste até hoje, é o meu eu-escritor. Esse me acompanha desde os dez anos até hoje, atingindo um recorde de estar na minha mente por oito anos.

E já se foram muitos outros, já houve o eu-lutador-de-artes-maciais, meu eu-engenheiro (acreditem se puderem), meu eu-diretor, etc...

Meus eus sempre ocuparam boa parte do meu pensamento. Brinco muito com eles antes de dormir, quando já estou deitado na cama, geralmente ainda sem sono.

Os eus que persistem hoje são os eu-economista, eu-escritor, eu-guitarrista (que voltou a pouco tempo) e eu-político, embora este esteja sendo cada vez mais esquecido.

Hoje em dia o eu-economista está cada vez mais forte. Tento consciliá-lo com os outros eus, mas é muito difícil pela consciência de limitação de tempo e disposição.

Pergunto-me quantos eus ainda surgirão. E, ainda mais, quando eu chegar à fase adulta e finalmente tiver determinado meu verdadeiro eu, todos os outros sumirão da minha mente? Difícil, muito difícil...

terça-feira, 15 de março de 2011

Post Scriptum (se é assim que se escreve...)

Gostaria de falar sobre as garotas da minha vida aqui, mas estou sob o risco de estar sob supervisão de uma delas, por isso tenho que me conter.

Essa é a parte ruim de ter um blog, é como se fosse um diário público.

410

Acabei de encontrar a garota mais bonita que eu já vi.

Estava pegando o ônibus 410 para a minha faculdade, quando resolvi sentar ao seu lado. Não foi nem a sua beleza estonteante que me chamou à atenção, pois sua cara estava coberta inteiramente por um livro, e foi justamente seu título que me fez sentar ao seu lado.

"Preconceito linguístico", era como se chamava. Comecei a divagar como se daria tal absurdo, quando resolvi sentar ao lado da garota que o lia. Fui percebendo aos poucos a beleza da menina, mas não sua dimensão.

Quando estávamos passando pela praia de botafogo, ela deu uma bela gargalhada. O que poderia ser tão engraçado em um livro tão sério quanto aquele parecia ser? Imaginei se ela não estava querendo justamente que eu perguntasse isso, mas eu, tímido nesses casos, obviamente não falei nada.

Ela, finalmente, resolveu descer no ponto em frente à igreja do Colégio Imaculada Conceição (que ironia...) e foi nesse momento que vi totalmente sua beleza, quando eu e ela levantamos juntos e trocamos um olhar rapidamente.

Não quero me estender muito na sua descrição, mas posso dizer que seus cabelos eram negros e seus olhos eram castanhos (como se isso adiantasse alguma coisa). A beleza é um conceito subjetivo, mas tenho certeza que a grande maioria dos homens e mulheres a achariam muito bonita.

Ela saiu e eu fiquei. Sentei e vim para a sala de laboratório da faculdade escrever isso.

Sei lá, parecia urgente.

domingo, 13 de março de 2011

Eu e meu eu guitarrista

Fazia dois anos e meio que eu não tocava guitarra, quase três anos. Muito tempo mesmo. Mesmo tendo feito um show há um ano, eu estava tocando um baixo que nem era meu, e para uma banda feita apenas para fazer um tributo ao Kurt Cobain.

Mas, finalmente, minha guitarra voltou à vida e agora eu quero, mais do que nunca, fazer uma banda. Mas cadê os integrantes? Já chamei um baixista e uma vocalista que até agora não parecem tão interessados nessa banda. Não os culpo, o baixista já tem uma ou duas bandas, a vocalista está no terceiro ano, mas sou eu que me fodo.

De qualquer forma, a volta de minha guitarra implicou na volta do meu eu guitarrista. Não tem pra ninguém, vou botar tudo pro inferno e tocar que nem um louco. Rock'n'Roll!

Carne aval

Não fiz muita coisa nesse feriado que costumo chamar de putaria generelizada (vulgo carnaval). Não gosto muito de bloco, embora vá a três ou dois a cada ano, além de também não curtir esse turbilhão de gringos, suburbanos (nada contra, juro), bêbados e putas que enchem as ruas da minha cidade maravilhosa.

Não tenho nada contra o carnaval em si, embora tenha a consciência da hipocrisia que é essa grande festa. Afinal, somos uma das populações mais conservadoras do mundo e temos uma das festas mais banais do mundo. Não podemos nem falar de aborto, legalização da maconha e da prostituição, no entanto é claro que na putaria generalizada você sempre, mas sempre verá milhares de pessoas transando com prostitutas, fumando maconha e fazendo um aborto depois do feriado.

Não é nem disso que estou reclamando. A hipocrisia é intríseca ao ser humano. Estou reclamando mesmo é do barulho, do lixo e de todas as consequências ruins do nosso querido carnaval. Ainda mais porque moro na frente de duas ruas por onde tradicionalmente passam milhares de blocos. Como diria Gabriel: aí fode com o cú do palhaço.

sexta-feira, 4 de março de 2011

As quatro estações (uma homenagem)

O amor a havia dilacerado. Perdeu-se entre monstros de sua própria criação, deixando-se cair na escuridão de um vazio de vida.

O sol queimava-lhe a pele enquanto andava sozinha por aquela rua tão cheia. Estátuas e paredes pintadas enfeitavam todo aquele caos urbano que a cercava. Tantas pessoas, tantas vidas, tantos sonhos, tudo junto em um espaço confinado de calor, sujeira e solidão. Já lhe era tão familiar aquele desespero silencioso, enterrado no barulho ensurdecedor de ônibus e carros atravessando a rua, como se sem direção.

Sentou-se em um banco de uma praça. O espaço, apesar de belo, estava infestado de defuntos que desconheciam a morte, vagando aos cambaleios sobre o chão infestado de pombos. Era como se tivessem mudado as estações. Tudo parecia mais triste, sem cor, sem ele.

“Eu sei que nada passou de um sonho.” – dizia a si mesma. – “Você dizia ‘ainda é cedo’, mas para mim os minutos lamentavam pelo desperdício que era passá-los sem você.”

Deixou-se levar pela decadente paisagem. A linha do horizonte a distraía, embora os prédios a impedissem de ver qualquer outra coisa se não suas cinzas estruturas. A imaginação, no entanto, a conduzia ao mais belo mar vazio, na solidão mais pura que pudesse desfrutar.

Há tempos que vivia daquela maneira. Nascera na mais aterrorizante pobreza, que acabou por levar seus pais à loucura pela necessidade. Desde nova teve que aprender a viver sozinha, embora estivesse sempre acompanhada. Ainda assim, não entendia como a vida funcionava, discriminação por causa de sua classe e sua cor. Ficou cansada de tentar achar resposta e, por fim, compreendeu que a vida servia apenas para se sobreviver.