Tempo virado

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Questões de Francesca

domingo, 9 de abril de 2017

A(in)daptação

Hoje acordei cedo, como de costume, e decidi pegar minha bicicleta.

Tornei meu domingo um dia de hábitos. Toda semana, nesse dia, pedalo pelo menos duas vezes pelo Aterro do Flamengo, terminando o trajeto na feira da Glória, onde religiosamente compro meu gomo de tapioca, suco de abacaxi com hortelã, batata doce e por vezes uma caixa de uva, tudo junto por menos de 20 reais.

Termino a manhã comprando um açaí no Hortifrutti do lado da minha casa. Chegando, faço uma faxina, escrevo no quadro minhas tarefas para a semana e brinco um pouco com a Mia. Até as duas, termino todo esse percurso para poder, enfim, pensar no que fazer durante o dia.

Nunca fui a pessoa mais tagarela da minha família ou círculo de amigos. Pelo contrário, sempre expressei melhor minhas opiniões e sentimentos por meio da palavra escrita do que falada. Creio que isso tenha por vezes incomodado aqueles à minha volta.

No entanto, o silêncio que experiencio quando acordo no Domingo até o fim da minha faxina é algo para o qual eu nunca fui preparado. Por mais que troque alguns "bom dia"s, ou palavras avulsas com quem estiver me acompanhando na pedalada, meu existir até a tarde é silencioso. Ainda que pudesse ser um devir contemplativo ou reflexivo, seu hei de ser se basta pela pouca necessidade de troca de palavras nas atividades realizadas.

Já faz quase seis meses desde que vivo assim, mas ainda acredito estar em uma eterna fase de adaptação. Tudo que sinto nesse meio tempo parece transitivo, como se líquido, um rio a correr rumo a algum destino.

Há momentos em que concluir é o que devo menos fazer.
Olho em volta e vejo esse vazio volvendo meu devir.


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